Há sessenta anos, a UNESCO instituiu o Dia Internacional da Alfabetização com um objetivo simples, porém radical: garantir que todas as pessoas tenham a capacidade de ler, escrever e compreender. Hoje, em 2026, celebramos um marco importante. No entanto, não podemos apenas comemorar; apesar dos avanços alcançados, o mundo continua a enfrentar uma emergência silenciosa: milhões de pessoas permanecem excluídas da educação básica, da participação social e da capacidade de moldar suas próprias vidas.
O tema escolhido pela UNESCO — Alfabetização para as pessoas, o planeta e a prosperidade — não é apenas um slogan. Ele representa um problema e um desafio, uma jornada e um horizonte. Sem alfabetização, não há cidadania, sustentabilidade ou futuro. Saber ler e escrever não é apenas uma habilidade técnica; é a “possibilidade” de viver, de estar presente, de existir. É o que nos permite compreender crises globais, navegar pelo cenário da informação, defender-nos contra desigualdades e vislumbrar alternativas. É uma ilusão pensar que os poucos que importam são felizes e prosperam; enquanto houver pessoas deixadas para trás, não haverá vida plena para ninguém no mundo.
Frequentemente falamos em inovação, transição ecológica e crescimento inclusivo. Contudo, tudo isso se baseia em uma verdade fundamental: sem alfabetização, nenhuma transformação é verdadeiramente possível. O analfabetismo — tanto em suas formas tradicionais quanto digitais — continua a afetar desproporcionalmente aqueles que já são vulneráveis: crianças e jovens em contextos de fragilidade, mulheres, migrantes e comunidades marginalizadas.
É aqui que o “Dia de 2026” nos desafia: fazer o bem não basta; é preciso fazer mais.
Nesse contexto, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas de Dom Bosco – FMA) trabalha há décadas para garantir o direito à educação. Elas não atuam como protagonistas de uma narrativa de autoglorificação, mas sim como parte de uma luta global que exige humildade, competência e persistência. O Instituto FMA atua por meio do Instituto Internacional Maria Auxiliadora (IIMA), um escritório de Direitos Humanos em Genebra ativo nas Nações Unidas desde 2008, dedicado a defender os direitos de jovens, crianças e mulheres. Em 2024, o IIMA realizou um levantamento que oferece um panorama concreto do impacto educacional do Instituto no período de 2020 a 2023.
O levantamento revela uma rede vibrante de iniciativas em todas as Inspetorias do Instituto. Não se trata apenas de números para exibição, mas de sinais tangíveis de um trabalho cotidiano: projetos de alfabetização digital que abrem portas para aqueles em risco de exclusão; atividades educacionais em centros juvenis que oferecem proteção e orientação; apoio acadêmico que impede que as dificuldades econômicas se tornem um destino imutável; material escolar que transforma o “não consigo” em “eu consigo”; e a formação de professores, que eleva a qualidade da educação onde ela é mais necessária.
É claro que essas intervenções não resolvem o problema global por si sós, mas o enfrentam, tornam-no visível e o combatem com determinação.
O 60º aniversário não é uma linha de chegada; é uma encruzilhada. Ou a comunidade internacional escolhe investir seriamente na alfabetização — como base de toda política social, ambiental e econômica — ou continuaremos a construir estratégias sobre bases frágeis.
A alfabetização é a alavanca que permite às pessoas participar, compreender e fazer escolhas. É o pré-requisito fundamental para uma sociedade que aspira a ser justa, sustentável e próspera.
Sessenta anos depois, a mensagem da UNESCO é mais urgente do que nunca: um mundo alfabetizado é um mundo capaz de mudar verdadeiramente.




